Uma Viagem Acessível – Parte 2 (o trajeto)

viagem a spPrimeira viagem: lazer.

Destino: São Paulo (encontrar o papai que estava fazendo um curso na capital).

Objetivo: Curtir o fim de semana em São Paulo com os dindos Weaker e Letícia.

Como eu não tinha ideia do que fazer ou preencher no site da companhia aérea antes da viagem, não fiz nada, simplesmente entrei no site, comprei as passagens e esperei o grande dia!!!

No dia da viagem pegamos um Taxi Acessível e seguimos para o aeroporto – aproveito para registrar a minha satisfação com o serviço de Taxi Acessível de Joinville, profissionais qualificados, atenciosos e dedicados ao bem estar do passageiro! Chegando ao aeroporto fui direto para a fila de atendimento prioritário e apresentei no balcão as passagens e documentos, despachamos as malas e informei ao atendente que a Gabi precisava do seu carrinho adaptado para se locomover, portanto, não poderia ser despachado junto com as bagagens.

Aqui vale uma observação porque depois dessa primeira viagem já fiz outras e percebi quase que um padrão no seguinte comportamento: alguns funcionários (sem muita experiência no trato com pessoas Portadoras de Necessidades Especiais, daqui pra frente vou falar apenas PNEs) insistem para que o carrinho seja despachado juntamente com as bagagens, para eles, tudo que não é uma cadeira de rodas propriamente dita, deve ser despachado; ou seja, como o carrinho da Gabi não se assemelha a cadeira de rodas sempre temos que esclarecer essa dúvida no balcão do check in.

Essa confusão também acontece vez ou outra na parte de inspeção de pessoas e bagagens de mão, ali onde fica o detector de metais; com muita frequência solicitam a retirada da Gabi do carrinho, ou seja, seguindo a orientação deles devo pega-la no colo, passar no detector junto com ela e recoloca-la no carrinho já inspecionado de forma separada!!

No começo eu até seguia essa recomendação, mas agora já não faço mais esse procedimento…ora essa, é obrigação do aeroporto ter equipamentos que possibilitem a inspeção das pessoas de forma segura, sem que o cadeirante tenha que ser retirado de sua cadeira e levado no colo!

Bom, voltando a primeira viagem….superada a fase de inspeção fomos encaminhadas para o embarque prioritário e acompanhadas até a aeronave com todo cuidado do mundo. O aeroporto de Joinville possui hoje um sistema fantástico de finger terrestre, que auxilia na acessibilidade do passageiro ao interior da aeronave, aprovadíssimo! Já na aeronave, Gabi no meu colo e o mesmo funcionário que te auxilia no acesso até o seu assento, se encarrega de levar o carrinho ao compartimento de cargas onde seguirá devidamente acomodado até o destino final da viagem.

Dentro do avião o atendimento é VIP (falo isso para qualquer Cia. Aérea, são todas muito bem preparadas para receber PNEs), comissárias, aeromoças, vizinhos de poltrona (que depois de um tempo acabam virando amigos íntimos da Gabi..rs..não porque eles queiram, mas porque a Gabi não pára de ficar passando a mão e cutucando até que a amizade comece)…tudo mil maravilhas.

Quando da chegada ao destino as pessoas PNEs são orientadas a aguardarem o desembarque total dos demais passageiros, isso por dois motivos principais; primeiro porque precisam de um transporte especial da aeronave até o saguão e este veículo demora um pouco mais para chegar nos aeroportos onde o desembarque acontece no pátio; segundo porque a Cia. Aérea tem a obrigação de disponibilizar de forma imediata a cadeira de rodas ao cadeirante (andador ou qualquer outro aparelho necessário para a locomoção do PNE), então a comissária fica aguardando que o funcionário traga a cadeira para então auxiliar no desembarque do passageiro.

Enfim, chegamos!!!! Muitos ‘monstros e medos’ que eu alimentava sobre este assunto me deixaram em paz e, a partir desse dia nossas viagens ficaram mais divertidas e prazerosas, situações que antes me deixavam preocupada ou aflita agora já nem passam pela minha cabeça….e você, ainda pensa em desistir? Ainda arruma uma desculpa para não passear? Vou dizer uma coisa importante que aprendi com essa minha experiência, não deixe esses momentos em família guardados para uma determinada ocasião, supere seus medos, você vai ver que vale a pena e que os obstáculos são muito menores do que imaginamos!

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Tata 'pilotando' o avião

 

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